Um espaço para o armazenamento dessas idéias que permeiam minha existência, e que em um momento de respeito próprio, resolvi lhes dar espaço físico, propriedade, talvez até um pouco de autonomia.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Suave tortura essa dos pensantes.
Amantes do impossível, o devaneio...
A esses heróis, uma melodia:
Fúnebre e melancólica (densa, mas vazia)
Eis que segue o cortejo solene.
Silenciado pelo pranto do adeus.
Com esforço é possível ver ao fundo
Profano e sagrado juntos a gritar:
Haverás de viver, ó meu caro!
Haverás de cantar, minha cara!
Haverás de ser homem, ó mulher!
Haverás de existir! Viver! Sentir! Amar!
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Às vezes fazemos o que devemos fazer, reconhecemos a necessidade de fazer algo e fazemos. Tentamos nos preparar, mas não existe preparação, afinal é algo que Temos que fazer, não o que queríamos, gostaríamos ou mesmo precisaríamos fazer, mas ainda assim fazemos. Ignoramos a dor que poderemos provocar e a dor dilacerante que nós mesmos haveremos de sentir, mas fazemos, porque algumas coisas, nós simplesmente temos que fazer.
domingo, 5 de dezembro de 2010



sexta-feira, 3 de setembro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Certezas! Certezas. Certezas? Certezas... Incertas certezas
Acho que as certezas estão muito bem cotadas ultimamente, transparecem força e exatidão, embora sua detenção seja abstrata e contraditoriamente incerta.
Como não ceder aos encantos da dúvida apenas por elas mesmas? Apenas por suas suposições? Suas possibilidades
As certezas estão superestimadas, certamente...
Muitos buscam-na com afinco ímpar e vivem a ilusão da sua existência, mesmo sabendo secretamente que ela nunca estará com ele ou mesmo ao seu lado
As certezas estão em alta porque o mundo nos ensinou que o inalcançável é alcançável
A beleza perfeita
Os hábitos perfeitos
A postura perfeita
O linguajar perfeito
O ser humano perfeito
A comida perfeita
Toda essa perfeição não passa de uma esfera irreal de que as certezas podem existir.
Informo-lhes, ou talvez informe nesse exato momento a mim mesma:
A certeza não existe.
segunda-feira, 14 de junho de 2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Sinto positividade ao meu redor, há muito não sentia esse otimismo latejante.
Acordei hoje uma hora antes do habitual, ao menos o habitual que adotei a cerca de uma semana, tudo bem, essa volatilidade não está me afetando tanto como antigamente, enfim, não quis levantar, mas não pelos meus montros interiores, apenas não quis.
Quis sentir o cheiro de minhas cobertas, o frio na ponta do nariz, entorpecer-me dessas simples sensações.
Levantar não doeu e a inspiração para a escrita estava saindo por meus poros, sentei, ignorando o tempo e meu iminente atraso e escrevi, falei sobre como o negro aos poucos dava espaço a novos tons. Linhas tão espontâneas, que saíram como um rio a desaguar no mar.
Enquanto escrevia, envolta em tudo o que de novo estava se apresentando para mim, deixei virar um prato de comida em meu colo, não me sujei, a sujeira caiu exatamente no único local de meu colo em que repousava um pequeno guardanapo, e nesse momento, nesse instante em que escrevia sobre o surgimento lento de novas cores, as formas se mostraram mais nítidas, as telas se agitaram em minha frente buscando elas mesmas por cores.
E assim, no simples momento em que não me sujei no café da manhã, enxerguei um mundo vivo ao meu redor e ri por isso. Dei felizes gargalhadas e passei toda a manhã de hoje olhando atentamente tudo e todos, reconhecendo cada espaço usual com meus olhos de criança, olhos de quem está enxergando tudo pela primeira vez e se encanta tanto com tudo isso que se apaixona pelo viver, pelo sentir.
Enquanto escrevo essas linhas me sinto pressionada a escrever a outra face da moeda que poderá se apresentar no futuro, mas eu nego, exatamente agora eu nego, não escreverei sobre o por vir. Hoje, agora, eu estou muito ocupada, agora eu estou sentindo.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O que era fraco começa a se fortalecer
O forte adquire modéstia
As certezas sentam-se ao lado das dúvidas
As dúvidas aceitam as hipóteses
O efêmero pede licença e se acomoda
O fixo se permite uma breve jornada
As evidências almejam a contestação
Os julgamentos são adiados pacificamente
As estruturas abrem espaço ao novo
As bases aceitam suas falhas
O incerto, a possibilidade, as icógnitas
Todos juntos dançam ao som dessa nova melodia
Todos esses sentimentos
Estendem uma toalha quadriculada em vermelho e branco
Repousam sobre elas o melhor dos banquetes
Recheados com suas angústias e incertezas
E assim, juntos
Fazem um piquenique à vida, ao existir, ao respirar
Ao viver!

Meu mundo é tão pequeno
terça-feira, 4 de maio de 2010

Um poeta, que talvez nem soubesse que o era, certa vez disse:
- O mundo pode parar.
Pasmo, o dito poeta hesitou, procurou explicações, tentou entender como aquelas palavras podiam ser pronunciadas juntas.
Seu mundo, parando?
Isso era impossível, inaceitável.
Afinal o mundo não pára pra esperar você chorar.
Ao menos isso foi o que ele havia compreendido das mensagens de seu mentor.
Fez todo o esforço possível, não conseguiu entender, parecia uma afirmação inconsequente e tresloucada.
E em meio a esse momento tão confuso e angustiante, pela primeira vez em muito tempo ele chorou. Ele se permitiu chorar, nesse exato momento ele tudo entendeu, porque nesse exato momento...
O seu mundo mundo parou.
quinta-feira, 29 de abril de 2010

A dor chegou, onde não existia mais nada, ela entrou e aqui está.
- Seja muito bem vinda! Vou falar a você um pouco daqui...
“Essa terra já foi muito habitada, muitos passaram por aqui: amor, paixão, felicidade, angústia, medo. Há algum tempo veio a crise... sabe a "crise"? Então... ela foi chegando de mansinho, e foi sutilmente convencendo um por um a partir, convenceu a todos que essa terra era infértil, não era passível de habitação, existiam muitos outros lugares mais agradáveis para se viver.
Ela era encantadora, envolvente, todos acreditaram nela. Afinal, como duvidar? Ela tinha o fôlego das paixões, a paciência do tempo, a resistência das grandes fortalezas. Era capaz de transmitir tanta segurança... Duvidar dela já parecia insanidade.
Após algum tempo a terra parou de produzir, a chuva não caiu mais, o sol parou de nascer, a lua se escondeu. O breu se instaurou. Todos foram embora.”
(dor) – E quem é você?
- Eu sou a dona dessas terras.
(dor) – Isso tudo é muito estranho. Vivo a vagar, invadir terras, e sempre como o pior dos bandidos. Minha presença parece sempre afrontar as pessoas, as lutas que travo são constantes e intermináveis.
- Confesso-lhe que foi realmente muito difícil ver todos partir, é só que parecia tão natural...
(dor) – Eu vou entender se você não quiser que eu fique, sei que não sou boa companhia... Ao menos é o que repetem em toda batalha.
- Não! Eu imploro, não vá! Viver aqui nesse escuro, sem ninguém... Gostaria que entendesse, até a loucura, insana como tal, vestiu seu melhor vestido e partiu. Fique. Garanto prover-lhe tudo o que for necessário, mas por favor, não vá. Essa terra precisa de alguém.
quarta-feira, 28 de abril de 2010

E é nessa terra de ninguém
Onde nada existe ou vive
Onde a sobrevivência é uma peça de decoração barata
Onde não e sim ainda não descobriram que são respostas
Onde risos se escondem (por medo)
Onde as lágrimas se escondem (por prudência)
Onde perguntas não são feitas
Onde opções são cometas
Onde as saídas foram fechadas pelos invernos
Onde a paixão um dia existiu
Onde a terra é infértil
Onde as árvores perdem suas folhas todos os dias
Onde as flores cansaram de abrir
Onde a música, talvez só a música possa entrar
Sutil e ingenuamente
Obviamente sem saber onde está
É nessa terra de ninguém
Que ela, apenas ela, talvez sobreviva

Meus personagens estão mortos
Cansaram dessa existência clichê
Minhas máscaras tiraram férias
Enjoaram de sua insana moradia
Meus desejos fugiram
Desistiram dessa luta inerte
Meus sentimentos congelaram
Ou é o que prefiro pensar
Minha razão petrificou
Não se permite acesso
Meus gritos estão presos
Sem força e sem rumo
Meu “eu”?
Quem o encontrar
Favor acolhê-lo
Sua casa não é mais segura.

Esses momentos de apatia
Estão a me consumir
Muito mais do que consigo re-compor
Almejo a dor, as lágrimas, a ânsia
Qualquer sentimento que seja
Qualquer coisa que me prove que estou viva
Esse silêncio interno suga todas as minhas forças
Não vejo sentido em nenhuma atitude
Só a melancolia senta ao meu lado
Imagino como é bom sentir
Mas logo a imagem some
Pareço estar invisível em meio a uma estação lotada
Ninguém me enxerga
Nem eu mesma
Me olho no espelho em uma lapso de esperança
Não há reflexo
Só um pensamento distante
Só um desejo
Só um fraco querer de existir
O último sentimento do qual me lembro é o medo
Medo da perda da identidade
De (des)conhecer essa estranha em mim
O medo se foi
Preferia não ter-me livrado dele
Agora estou só
Agora não sei nem mais se sou
Agora parece só um breve momento
Vivido enquanto escrevo essas linhas tristes
terça-feira, 27 de abril de 2010




