
A dor chegou, onde não existia mais nada, ela entrou e aqui está.
- Seja muito bem vinda! Vou falar a você um pouco daqui...
“Essa terra já foi muito habitada, muitos passaram por aqui: amor, paixão, felicidade, angústia, medo. Há algum tempo veio a crise... sabe a "crise"? Então... ela foi chegando de mansinho, e foi sutilmente convencendo um por um a partir, convenceu a todos que essa terra era infértil, não era passível de habitação, existiam muitos outros lugares mais agradáveis para se viver.
Ela era encantadora, envolvente, todos acreditaram nela. Afinal, como duvidar? Ela tinha o fôlego das paixões, a paciência do tempo, a resistência das grandes fortalezas. Era capaz de transmitir tanta segurança... Duvidar dela já parecia insanidade.
Após algum tempo a terra parou de produzir, a chuva não caiu mais, o sol parou de nascer, a lua se escondeu. O breu se instaurou. Todos foram embora.”
(dor) – E quem é você?
- Eu sou a dona dessas terras.
(dor) – Isso tudo é muito estranho. Vivo a vagar, invadir terras, e sempre como o pior dos bandidos. Minha presença parece sempre afrontar as pessoas, as lutas que travo são constantes e intermináveis.
- Confesso-lhe que foi realmente muito difícil ver todos partir, é só que parecia tão natural...
(dor) – Eu vou entender se você não quiser que eu fique, sei que não sou boa companhia... Ao menos é o que repetem em toda batalha.
- Não! Eu imploro, não vá! Viver aqui nesse escuro, sem ninguém... Gostaria que entendesse, até a loucura, insana como tal, vestiu seu melhor vestido e partiu. Fique. Garanto prover-lhe tudo o que for necessário, mas por favor, não vá. Essa terra precisa de alguém.





