quinta-feira, 29 de abril de 2010


A dor chegou, onde não existia mais nada, ela entrou e aqui está.

- Seja muito bem vinda! Vou falar a você um pouco daqui...

“Essa terra já foi muito habitada, muitos passaram por aqui: amor, paixão, felicidade, angústia, medo. Há algum tempo veio a crise... sabe a "crise"? Então... ela foi chegando de mansinho, e foi sutilmente convencendo um por um a partir, convenceu a todos que essa terra era infértil, não era passível de habitação, existiam muitos outros lugares mais agradáveis para se viver.

Ela era encantadora, envolvente, todos acreditaram nela. Afinal, como duvidar? Ela tinha o fôlego das paixões, a paciência do tempo, a resistência das grandes fortalezas. Era capaz de transmitir tanta segurança... Duvidar dela já parecia insanidade.

Após algum tempo a terra parou de produzir, a chuva não caiu mais, o sol parou de nascer, a lua se escondeu. O breu se instaurou. Todos foram embora.”

(dor) – E quem é você?

- Eu sou a dona dessas terras.

(dor) – Isso tudo é muito estranho. Vivo a vagar, invadir terras, e sempre como o pior dos bandidos. Minha presença parece sempre afrontar as pessoas, as lutas que travo são constantes e intermináveis.

- Confesso-lhe que foi realmente muito difícil ver todos partir, é só que parecia tão natural...

(dor) – Eu vou entender se você não quiser que eu fique, sei que não sou boa companhia... Ao menos é o que repetem em toda batalha.

- Não! Eu imploro, não vá! Viver aqui nesse escuro, sem ninguém... Gostaria que entendesse, até a loucura, insana como tal, vestiu seu melhor vestido e partiu. Fique. Garanto prover-lhe tudo o que for necessário, mas por favor, não vá. Essa terra precisa de alguém.

quarta-feira, 28 de abril de 2010


E é nessa terra de ninguém

Onde nada existe ou vive

Onde a sobrevivência é uma peça de decoração barata

Onde não e sim ainda não descobriram que são respostas

Onde risos se escondem (por medo)

Onde as lágrimas se escondem (por prudência)

Onde perguntas não são feitas

Onde opções são cometas

Onde as saídas foram fechadas pelos invernos

Onde a paixão um dia existiu

Onde a terra é infértil

Onde as árvores perdem suas folhas todos os dias

Onde as flores cansaram de abrir

Onde a música, talvez só a música possa entrar

Sutil e ingenuamente

Obviamente sem saber onde está

É nessa terra de ninguém

Que ela, apenas ela, talvez sobreviva




Meus personagens estão mortos

Cansaram dessa existência clichê

Minhas máscaras tiraram férias

Enjoaram de sua insana moradia

Meus desejos fugiram

Desistiram dessa luta inerte

Meus sentimentos congelaram

Ou é o que prefiro pensar

Minha razão petrificou

Não se permite acesso

Meus gritos estão presos

Sem força e sem rumo

Meu “eu”?

Quem o encontrar

Favor acolhê-lo

Sua casa não é mais segura.



Esses momentos de apatia

Estão a me consumir

Muito mais do que consigo re-compor


Almejo a dor, as lágrimas, a ânsia

Qualquer sentimento que seja

Qualquer coisa que me prove que estou viva


Esse silêncio interno suga todas as minhas forças

Não vejo sentido em nenhuma atitude

Só a melancolia senta ao meu lado


Imagino como é bom sentir

Mas logo a imagem some


Pareço estar invisível em meio a uma estação lotada

Ninguém me enxerga

Nem eu mesma


Me olho no espelho em uma lapso de esperança

Não há reflexo


Só um pensamento distante

Só um desejo

Só um fraco querer de existir


O último sentimento do qual me lembro é o medo

Medo da perda da identidade

De (des)conhecer essa estranha em mim


O medo se foi

Preferia não ter-me livrado dele


Agora estou só

Agora não sei nem mais se sou

Agora parece só um breve momento

Vivido enquanto escrevo essas linhas tristes






terça-feira, 27 de abril de 2010


Ei!
Você?
Isso mesmo.
Quanto tempo...
Sério?
Muito mais do que você pensa.
...
Não vá.
Por que não ir?
Não fuja, fale um pouco
É difícil.
Eu sei, mas tente...
Não posso.
Como?
Não quero.
Tente, apenas tente.
Quem sabe outro dia?...

Eu quero pele, boca e sentidos
Aprisionar tudo isso em mim
Tocar e sentir
Sem nenhum pesar
Adeus aos pudores!
Quero os excessos
Acenar para a malícia
Cumprir o trajeto

Eu quero desejo
Com dom de curar e matar
Permitir o insano
Repelir o normal
Abandonar o que é pronto
Construir no nada
Já tão cheio de tudo
Respirar
Ou parar.

segunda-feira, 26 de abril de 2010


Idéias, tantas e tantas
Anuladas
Criticadas
Mortas
Em sono profundo
Amadas
Odiadas
Aplaudidas
Repudiadas
Prazerosas
Únicas
Egoístas
Egocêntricas
Crianças, por vezes idosas, mas não mais que crianças