quinta-feira, 6 de maio de 2010


Sinto positividade ao meu redor, há muito não sentia esse otimismo latejante.

Acordei hoje uma hora antes do habitual, ao menos o habitual que adotei a cerca de uma semana, tudo bem, essa volatilidade não está me afetando tanto como antigamente, enfim, não quis levantar, mas não pelos meus montros interiores, apenas não quis.

Quis sentir o cheiro de minhas cobertas, o frio na ponta do nariz, entorpecer-me dessas simples sensações.

Levantar não doeu e a inspiração para a escrita estava saindo por meus poros, sentei, ignorando o tempo e meu iminente atraso e escrevi, falei sobre como o negro aos poucos dava espaço a novos tons. Linhas tão espontâneas, que saíram como um rio a desaguar no mar.

Enquanto escrevia, envolta em tudo o que de novo estava se apresentando para mim, deixei virar um prato de comida em meu colo, não me sujei, a sujeira caiu exatamente no único local de meu colo em que repousava um pequeno guardanapo, e nesse momento, nesse instante em que escrevia sobre o surgimento lento de novas cores, as formas se mostraram mais nítidas, as telas se agitaram em minha frente buscando elas mesmas por cores.

E assim, no simples momento em que não me sujei no café da manhã, enxerguei um mundo vivo ao meu redor e ri por isso. Dei felizes gargalhadas e passei toda a manhã de hoje olhando atentamente tudo e todos, reconhecendo cada espaço usual com meus olhos de criança, olhos de quem está enxergando tudo pela primeira vez e se encanta tanto com tudo isso que se apaixona pelo viver, pelo sentir.

Enquanto escrevo essas linhas me sinto pressionada a escrever a outra face da moeda que poderá se apresentar no futuro, mas eu nego, exatamente agora eu nego, não escreverei sobre o por vir. Hoje, agora, eu estou muito ocupada, agora eu estou sentindo.


Não uso mais tanto preto
Minha cor agora é cinza
Gostaria de uma aquarela em mim
Mas seria uma baita injustiça
Ainda prefiro fazer por merecer as cores

Tenho adquirido muito branco
Um tentativa de clarear a estrada
Não julgo a eficiência de tal ato
Associo, porém, à dissipação da nuvem negra.
Devaneio ou não, está mais claro aqui.

quarta-feira, 5 de maio de 2010


O que era fraco começa a se fortalecer

O forte adquire modéstia

As certezas sentam-se ao lado das dúvidas

As dúvidas aceitam as hipóteses

O efêmero pede licença e se acomoda

O fixo se permite uma breve jornada

As evidências almejam a contestação

Os julgamentos são adiados pacificamente

As estruturas abrem espaço ao novo

As bases aceitam suas falhas

O incerto, a possibilidade, as icógnitas

Todos juntos dançam ao som dessa nova melodia

Todos esses sentimentos

Estendem uma toalha quadriculada em vermelho e branco

Repousam sobre elas o melhor dos banquetes

Recheados com suas angústias e incertezas

E assim, juntos

Fazem um piquenique à vida, ao existir, ao respirar

Ao viver!


As ocupações pareciam tão belas
Crianças envolventes
As ofertas tentadoras
Adolescentes impetuosas
A inevitável gula
Uma crise de meia idade incontrolável
O lícito líquido
Um senhor rabugento e teimoso

Meu mundo é tão pequeno
Tão minúsculo
Que não me cabe mais

Não suporto mais um segundo sequer
Preciso sair
Coloco nesse exato momento toda a minha força

Em um momento único e imensurável
A redoma se rompe
Aos poucos enxergo o universo ao meu redor
Logo eu, que nem sabia de sua existência

Vejo diferentes tons, cheiros...
Meus sentidos se aguçam
Vagarosamente abro meus braços
Sentindo a inebriante brisa da liberdade.

terça-feira, 4 de maio de 2010


Um poeta, que talvez nem soubesse que o era, certa vez disse:
- O mundo pode parar.

Pasmo, o dito poeta hesitou, procurou explicações, tentou entender como aquelas palavras podiam ser pronunciadas juntas.
Seu mundo, parando?
Isso era impossível, inaceitável.
Afinal o mundo não pára pra esperar você chorar.
Ao menos isso foi o que ele havia compreendido das mensagens de seu mentor.

Fez todo o esforço possível, não conseguiu entender, parecia uma afirmação inconsequente e tresloucada.

E em meio a esse momento tão confuso e angustiante, pela primeira vez em muito tempo ele chorou. Ele se permitiu chorar, nesse exato momento ele tudo entendeu, porque nesse exato momento...

O seu mundo mundo parou.