sábado, 12 de novembro de 2011


Dores que não cessam, feridas que não cicatrizam

Vejo a morfina perpetrar meu corpo sem nenhum efeito

Imploro por uma dose extra de penicilina, dizem que não agüento

Infelizmente não posso afirmar o contrário.


Talvez resida em mim o desejo da dor, desse desesperado ardor

Masoquismo talvez? Não saberia afirmar...

Fecho os olhos pra sentir o que resta da embriaguez

Não há mais nada. Nada mais me entorpece ou apaga


Busco um pouco de paz e sossego em meus vícios

Pobres coitados vagam exaustos em meio aos meus sentidos

Não há nada que complete, preencha, acerte

Tudo é erro, vacilo prazo vencido.

domingo, 28 de agosto de 2011


O horizonte me encanta, canta e chama

Busca meu melhor eu

Meu errado certo, meu querer despudorado e incerto


Pus novas lentes e através delas vejo muito mais

Vejo possibilidades, caminhos e roteiros

Propostas com ou sem respostas, não importa


Troquei as vestes, despi-me de meus fantasmas

Encarei meus monstros e nua, me entreguei ao inimigo

Quando terminei, dei as costas e vesti a primeira coisa que vi pela frente


Encontrei e vesti a vida, meus amigos e meus amores

A paz, a serenidade e a ingenuidade de um sorriso infantil

A energia da perseverança e beleza das dúvidas


O amor se tornou meu mais belo adereço

Eu o levo no peito de onde, aliás, ele nunca saiu

Descobri que sua fonte é infindável e renovável à medida que somos capazes de doá-lo

É que esqueceram de te dizer, meu bem

Que das flores sou o pólen

Das manhãs, o primeiro raio de Sol

Da arte, as cores, tons e contornos


Sou os acordes perfeitos de uma canção

O silêncio da mata virgem

O cheiro da primeira gota d’água a cair no solo do sertão


Sou protagonista, das que tem seu nome no título

Medalhista onde não há segundo lugar

O suspiro dos amantes e o sufocamento dos apaixonados


Sou só vida e certeza

Atitude e viço

Energia e completude


Infelizmente não te avisaram meu bem

Pois bem: perdeste o bonde quando perdeste a vontade

Perdeste todo um rio, quando insistisse em permanecer na margem

Eu sempre soube que as lágrimas secariam

Imaginei diversas vezes o vazio iminente

Pensava no desespero do vácuo em mim

Torturava-me em devaneios do por vir


Cá estou

Lágrimas secas

Coração a bater sutilmente

Ainda que fraco, incessante


O sorriso em meu rosto ainda não é o mesmo de outrora

Penso que nunca voltará a sê-lo

Sei também que não o espero de volta...

É que tenho gostado desse novo, mais leve, fácil, solto...


As dores que senti serviram para me anestesiar

Ocuparam-me durante todo o tempo que precisava pra evoluir

Foram-se deixando um novo terreno aqui

Com terra fértil, flores, árvores, bancos de jardim...


Com os meus pés descalços ando livremente por aqui

Tiro frutas do pé, embalada pelo canto dos pássaros

Deixo que a chuva me molhe o rosto e seco ao calor do Sol logo depois

Tudo é permitido, possível e bem-vindo.

Se do rio eu sou a beira, o que há de ser a outra margem se não outro eu ‘meu’

Àquela distante

Difícil de alcançar

Àquela que não promete

Existe e cumpre.

O que haverá de ser senão outra face ‘minha’?


Diante de tuas certezas tão frágeis

Só me restou afastar-me de ti

De teus falsos conceitos

Tão questionáveis e vulneráveis


Eu bem te avisei que eu era assim

Só certeza, só claridade, só nitidez

Claridade de lua cheia

De sol de meio-dia


De você, recebi apenas promessas vazias

Futuristas e mal embasadas

Em mim achei respostas e o que eu precisava pra seguir adiante.

Eu mesma.


Quando eu entrar

Iluminarei todos os ambientes

Será só calor ao teu redor

E só cores as paredes de teu lar


Quando eu entrar

Seremos só sorrisos e realidade

Terá paz e inquietude de amar

Pressa de ser feliz e viver


Quando eu entrar

Eu e você seremos um mais uma vez

Mas entenda, tudo isso apenas

Quando EU entrar.