quarta-feira, 30 de março de 2011


Acho que achei
O certo, o gesto, o afeto (sinto)
Peguei e guardei bem
O medo, o desespero, o desejo (preciso)
Expulsei de mim
As possibilidades e as cores (vivo)
Guardei de tudo um pouco
Me livrei do nada quase tudo
Assim
Só por achar
Só por querer
Só por poder

terça-feira, 22 de março de 2011


Estou aterrorizada, assustada e paralisada

Minhas veias parecem impedir a passagem do sangue

Meu pulmão agora só tem uma função, encher

Meus pés doem e me fazem ficar prostrada, estagnada


Minhas mãos apresentam uma sensibilidade ímpar, incapacitante

Meu peito nega a dor e ameaça parar a qualquer instante

Minha mente divaga e vive a se esquivar. Pedir desculpa

Sorrateiramente sai de mim e fica a me observar


Recalcada, retraída, exposta a toda a inocência negada

Sem defesas me vê e assim me deixa

Capaz de me ver

Incapaz de viver em mim...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Azeda, inquieta e impaciente
Meus sentidos não me obedecem
Amarga, mal-humorada e carente

Nem meu ar me suporta
Ou talvez ele esteja tão denso
Que eu seja incapaz de suportá-lo

Pois é, hoje nem eu me aguento
Boa sorte aos demais...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010


Suave tortura essa dos pensantes.

Amantes do impossível, o devaneio...

A esses heróis, uma melodia:

Fúnebre e melancólica (densa, mas vazia)


Eis que segue o cortejo solene.

Silenciado pelo pranto do adeus.

Com esforço é possível ver ao fundo

Profano e sagrado juntos a gritar:


Haverás de viver, ó meu caro!

Haverás de cantar, minha cara!

Haverás de ser homem, ó mulher!

Haverás de existir! Viver! Sentir! Amar!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010


Se não amas a ti mesmo
Não haverás de amar mais ninguém
Talvez ame a idéia de um outro alguém
Mas jamais haverá de amá-la
Pois és incapaz de enxergá-la

Enxergas através de uma lente de ilusão
Distorcida e cheia de expectativas
Confusa sobre o desconhecido
Covarde sobre a realidade do sentir
Ignorante de si e do outro.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010


Sua busca é incessante e ele se sente exausto.
Senta e aos poucos consegue enxergar, ouvir...
A brisa nas folhas, o vento forte na copa das árvores
O canto dos pássaros, o quebrar das ondas
Ele embriaga-se daquilo.

Decide então mergulhar nesse infinito de cores.
Banha-se do êxtase de sentir o mundo ao seu redor.
Brinca com a areia, vendo em cada grão um pouco de si
Percebe-se por fim assim.
Várias partículas banhadas pelo mar .

Minúsculo, leve e amante das águas
Sejam elas do mar ou vindas dos céus
Uma testemunha de tudo que é vivo e vive
Porque existir pode não ser viver
E convenhamos, meu caro: não há céu ou mar aos que negam a vida!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010


Às vezes fazemos o que devemos fazer, reconhecemos a necessidade de fazer algo e fazemos. Tentamos nos preparar, mas não existe preparação, afinal é algo que Temos que fazer, não o que queríamos, gostaríamos ou mesmo precisaríamos fazer, mas ainda assim fazemos. Ignoramos a dor que poderemos provocar e a dor dilacerante que nós mesmos haveremos de sentir, mas fazemos, porque algumas coisas, nós simplesmente temos que fazer.