Se do rio eu sou a beira, o que há de ser a outra margem se não outro eu ‘meu’
Àquela distante
Difícil de alcançar
Àquela que não promete
Existe e cumpre.
O que haverá de ser senão outra face ‘minha’?
Um espaço para o armazenamento dessas idéias que permeiam minha existência, e que em um momento de respeito próprio, resolvi lhes dar espaço físico, propriedade, talvez até um pouco de autonomia.
Diante de tuas certezas tão frágeis
Só me restou afastar-me de ti
De teus falsos conceitos
Tão questionáveis e vulneráveis
Eu bem te avisei que eu era assim
Só certeza, só claridade, só nitidez
Claridade de lua cheia
De sol de meio-dia
De você, recebi apenas promessas vazias
Futuristas e mal embasadas
Em mim achei respostas e o que eu precisava pra seguir adiante.
Eu mesma.
Quando eu entrar
Iluminarei todos os ambientes
Será só calor ao teu redor
E só cores as paredes de teu lar
Quando eu entrar
Seremos só sorrisos e realidade
Terá paz e inquietude de amar
Pressa de ser feliz e viver
Quando eu entrar
Eu e você seremos um mais uma vez
Mas entenda, tudo isso apenas
Quando EU entrar.

Estou aterrorizada, assustada e paralisada
Minhas veias parecem impedir a passagem do sangue
Meu pulmão agora só tem uma função, encher
Meus pés doem e me fazem ficar prostrada, estagnada
Minhas mãos apresentam uma sensibilidade ímpar, incapacitante
Meu peito nega a dor e ameaça parar a qualquer instante
Minha mente divaga e vive a se esquivar. Pedir desculpa
Sorrateiramente sai de mim e fica a me observar
Recalcada, retraída, exposta a toda a inocência negada
Sem defesas me vê e assim me deixa
Capaz de me ver
Incapaz de viver em mim...

Suave tortura essa dos pensantes.
Amantes do impossível, o devaneio...
A esses heróis, uma melodia:
Fúnebre e melancólica (densa, mas vazia)
Eis que segue o cortejo solene.
Silenciado pelo pranto do adeus.
Com esforço é possível ver ao fundo
Profano e sagrado juntos a gritar:
Haverás de viver, ó meu caro!
Haverás de cantar, minha cara!
Haverás de ser homem, ó mulher!
Haverás de existir! Viver! Sentir! Amar!