domingo, 28 de agosto de 2011

Se do rio eu sou a beira, o que há de ser a outra margem se não outro eu ‘meu’

Àquela distante

Difícil de alcançar

Àquela que não promete

Existe e cumpre.

O que haverá de ser senão outra face ‘minha’?


Diante de tuas certezas tão frágeis

Só me restou afastar-me de ti

De teus falsos conceitos

Tão questionáveis e vulneráveis


Eu bem te avisei que eu era assim

Só certeza, só claridade, só nitidez

Claridade de lua cheia

De sol de meio-dia


De você, recebi apenas promessas vazias

Futuristas e mal embasadas

Em mim achei respostas e o que eu precisava pra seguir adiante.

Eu mesma.


Quando eu entrar

Iluminarei todos os ambientes

Será só calor ao teu redor

E só cores as paredes de teu lar


Quando eu entrar

Seremos só sorrisos e realidade

Terá paz e inquietude de amar

Pressa de ser feliz e viver


Quando eu entrar

Eu e você seremos um mais uma vez

Mas entenda, tudo isso apenas

Quando EU entrar.

quarta-feira, 30 de março de 2011


Acho que achei
O certo, o gesto, o afeto (sinto)
Peguei e guardei bem
O medo, o desespero, o desejo (preciso)
Expulsei de mim
As possibilidades e as cores (vivo)
Guardei de tudo um pouco
Me livrei do nada quase tudo
Assim
Só por achar
Só por querer
Só por poder

terça-feira, 22 de março de 2011


Estou aterrorizada, assustada e paralisada

Minhas veias parecem impedir a passagem do sangue

Meu pulmão agora só tem uma função, encher

Meus pés doem e me fazem ficar prostrada, estagnada


Minhas mãos apresentam uma sensibilidade ímpar, incapacitante

Meu peito nega a dor e ameaça parar a qualquer instante

Minha mente divaga e vive a se esquivar. Pedir desculpa

Sorrateiramente sai de mim e fica a me observar


Recalcada, retraída, exposta a toda a inocência negada

Sem defesas me vê e assim me deixa

Capaz de me ver

Incapaz de viver em mim...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Azeda, inquieta e impaciente
Meus sentidos não me obedecem
Amarga, mal-humorada e carente

Nem meu ar me suporta
Ou talvez ele esteja tão denso
Que eu seja incapaz de suportá-lo

Pois é, hoje nem eu me aguento
Boa sorte aos demais...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010


Suave tortura essa dos pensantes.

Amantes do impossível, o devaneio...

A esses heróis, uma melodia:

Fúnebre e melancólica (densa, mas vazia)


Eis que segue o cortejo solene.

Silenciado pelo pranto do adeus.

Com esforço é possível ver ao fundo

Profano e sagrado juntos a gritar:


Haverás de viver, ó meu caro!

Haverás de cantar, minha cara!

Haverás de ser homem, ó mulher!

Haverás de existir! Viver! Sentir! Amar!