domingo, 28 de agosto de 2011

Eu sempre soube que as lágrimas secariam

Imaginei diversas vezes o vazio iminente

Pensava no desespero do vácuo em mim

Torturava-me em devaneios do por vir


Cá estou

Lágrimas secas

Coração a bater sutilmente

Ainda que fraco, incessante


O sorriso em meu rosto ainda não é o mesmo de outrora

Penso que nunca voltará a sê-lo

Sei também que não o espero de volta...

É que tenho gostado desse novo, mais leve, fácil, solto...


As dores que senti serviram para me anestesiar

Ocuparam-me durante todo o tempo que precisava pra evoluir

Foram-se deixando um novo terreno aqui

Com terra fértil, flores, árvores, bancos de jardim...


Com os meus pés descalços ando livremente por aqui

Tiro frutas do pé, embalada pelo canto dos pássaros

Deixo que a chuva me molhe o rosto e seco ao calor do Sol logo depois

Tudo é permitido, possível e bem-vindo.

Se do rio eu sou a beira, o que há de ser a outra margem se não outro eu ‘meu’

Àquela distante

Difícil de alcançar

Àquela que não promete

Existe e cumpre.

O que haverá de ser senão outra face ‘minha’?


Diante de tuas certezas tão frágeis

Só me restou afastar-me de ti

De teus falsos conceitos

Tão questionáveis e vulneráveis


Eu bem te avisei que eu era assim

Só certeza, só claridade, só nitidez

Claridade de lua cheia

De sol de meio-dia


De você, recebi apenas promessas vazias

Futuristas e mal embasadas

Em mim achei respostas e o que eu precisava pra seguir adiante.

Eu mesma.


Quando eu entrar

Iluminarei todos os ambientes

Será só calor ao teu redor

E só cores as paredes de teu lar


Quando eu entrar

Seremos só sorrisos e realidade

Terá paz e inquietude de amar

Pressa de ser feliz e viver


Quando eu entrar

Eu e você seremos um mais uma vez

Mas entenda, tudo isso apenas

Quando EU entrar.

quarta-feira, 30 de março de 2011


Acho que achei
O certo, o gesto, o afeto (sinto)
Peguei e guardei bem
O medo, o desespero, o desejo (preciso)
Expulsei de mim
As possibilidades e as cores (vivo)
Guardei de tudo um pouco
Me livrei do nada quase tudo
Assim
Só por achar
Só por querer
Só por poder

terça-feira, 22 de março de 2011


Estou aterrorizada, assustada e paralisada

Minhas veias parecem impedir a passagem do sangue

Meu pulmão agora só tem uma função, encher

Meus pés doem e me fazem ficar prostrada, estagnada


Minhas mãos apresentam uma sensibilidade ímpar, incapacitante

Meu peito nega a dor e ameaça parar a qualquer instante

Minha mente divaga e vive a se esquivar. Pedir desculpa

Sorrateiramente sai de mim e fica a me observar


Recalcada, retraída, exposta a toda a inocência negada

Sem defesas me vê e assim me deixa

Capaz de me ver

Incapaz de viver em mim...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Azeda, inquieta e impaciente
Meus sentidos não me obedecem
Amarga, mal-humorada e carente

Nem meu ar me suporta
Ou talvez ele esteja tão denso
Que eu seja incapaz de suportá-lo

Pois é, hoje nem eu me aguento
Boa sorte aos demais...