sexta-feira, 10 de dezembro de 2010


Se não amas a ti mesmo
Não haverás de amar mais ninguém
Talvez ame a idéia de um outro alguém
Mas jamais haverá de amá-la
Pois és incapaz de enxergá-la

Enxergas através de uma lente de ilusão
Distorcida e cheia de expectativas
Confusa sobre o desconhecido
Covarde sobre a realidade do sentir
Ignorante de si e do outro.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010


Sua busca é incessante e ele se sente exausto.
Senta e aos poucos consegue enxergar, ouvir...
A brisa nas folhas, o vento forte na copa das árvores
O canto dos pássaros, o quebrar das ondas
Ele embriaga-se daquilo.

Decide então mergulhar nesse infinito de cores.
Banha-se do êxtase de sentir o mundo ao seu redor.
Brinca com a areia, vendo em cada grão um pouco de si
Percebe-se por fim assim.
Várias partículas banhadas pelo mar .

Minúsculo, leve e amante das águas
Sejam elas do mar ou vindas dos céus
Uma testemunha de tudo que é vivo e vive
Porque existir pode não ser viver
E convenhamos, meu caro: não há céu ou mar aos que negam a vida!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010


Às vezes fazemos o que devemos fazer, reconhecemos a necessidade de fazer algo e fazemos. Tentamos nos preparar, mas não existe preparação, afinal é algo que Temos que fazer, não o que queríamos, gostaríamos ou mesmo precisaríamos fazer, mas ainda assim fazemos. Ignoramos a dor que poderemos provocar e a dor dilacerante que nós mesmos haveremos de sentir, mas fazemos, porque algumas coisas, nós simplesmente temos que fazer.

domingo, 5 de dezembro de 2010


Sem receio passeio devagar pelo desconhecido
Estou adormecida, mas com todos os sentidos a postos
Os cheiros e cores, limpos e vivos, dançam na minha frente
Sinto, vejo e guardo. Cuido, mostro e exponho

Cansei do mistério e do acaso, por isso agora ando, vejo...
Toco, classifico e disponibiliz o óbvio
A obviaedade contida nesse conturbado ser que vos fala
Meus medos e temores, todos numa bandeja de prata pra você

Servido?

Do nada, com nada, pra nada
Sem nada, por nada, nada
O nada vira tudo
Tudo junto, tudo uno, tudo
Tudo um mero absurdo
Surdo e mudo, nada
Cheio de tudo
Cheio de nada
Aberto ao tudo e ao nada
Certo de que o certo
Tudo tem a ver com nada

No meio do medo brotou a coragem
De peito aberto raptou a razão
Se apoderou de toda a emoção
Fez suas essas duas meretrizes

Emprenhou a emoção de loucura
Extirpou da razão sua essência
Torturou e matou a ilusão
Amou, guardou e trancou o amor

Em seu cativeiro havia flores
Coloridas e rodeadas por borboletas
Boa comida, bom vinho, boa música
Uma cama confortável e vários livros

O amor não sabia o que fazer
Tudo era tão lindo e perfeito
O que fazer?
Sentar, respirar, viver...


Dedico a ti meu corpo, minha alma, meu sangue
Meu ventre, minha semente, meu alimento, meu ser
Minha respiração, meu sossego, meu eu
Dedico a ti amor, tão grande que és, mal cabe em mim

Dedico a ti meu melhor choro, meu melhor grito
Meus seios fartos e minhas ancas largas, te dedico
Minha música favorita, minha flor favorita, tulipa
Dedico a ti meu bem, tudo que em mim existe

Porque jamais existiria eu sem você
As músicas não teriam melodia e murchariam numa tarde triste
As flores entrariam em extinção sem o teu ar
Porque a minha vida e a sua a muito são unas, nossa alma também.