domingo, 5 de dezembro de 2010


Do nada, com nada, pra nada
Sem nada, por nada, nada
O nada vira tudo
Tudo junto, tudo uno, tudo
Tudo um mero absurdo
Surdo e mudo, nada
Cheio de tudo
Cheio de nada
Aberto ao tudo e ao nada
Certo de que o certo
Tudo tem a ver com nada

No meio do medo brotou a coragem
De peito aberto raptou a razão
Se apoderou de toda a emoção
Fez suas essas duas meretrizes

Emprenhou a emoção de loucura
Extirpou da razão sua essência
Torturou e matou a ilusão
Amou, guardou e trancou o amor

Em seu cativeiro havia flores
Coloridas e rodeadas por borboletas
Boa comida, bom vinho, boa música
Uma cama confortável e vários livros

O amor não sabia o que fazer
Tudo era tão lindo e perfeito
O que fazer?
Sentar, respirar, viver...


Dedico a ti meu corpo, minha alma, meu sangue
Meu ventre, minha semente, meu alimento, meu ser
Minha respiração, meu sossego, meu eu
Dedico a ti amor, tão grande que és, mal cabe em mim

Dedico a ti meu melhor choro, meu melhor grito
Meus seios fartos e minhas ancas largas, te dedico
Minha música favorita, minha flor favorita, tulipa
Dedico a ti meu bem, tudo que em mim existe

Porque jamais existiria eu sem você
As músicas não teriam melodia e murchariam numa tarde triste
As flores entrariam em extinção sem o teu ar
Porque a minha vida e a sua a muito são unas, nossa alma também.
Os olhos fixos no (in)esperado
As atitudes em fuga desenfreada
O desespero em busca da calma
Uma pausa por favor?
Impossível! (De um ser que não o conhece)

Desconheço o impossível, esse tão falado e comentado.
Se alguém um dia me apresentar, baterei forte em sua face
Como ousa provocar tamanha estagnação em todos?
Que inexplicável poder imagina ter?

O poder concedido à ausência de explicação
O poder contido no comodismo cotidiano
O poder recalcado para a conservação da sanidade
O poder que preserva, guarda e por vezes salva

O impossível existe, forte como um diamante
Se alastra a cada dia como uma epidemia
O impossível é um grande e desmotivado preguiçoso
Além de manipulador e persuasivo

O impossível jamais existirá aos que se negam a vê-lo
Espero vê-lo um dia.
Apontar o dedo em sua cara e dizer-lhe:
Você simplesmente não existe! Agora sente-se por favor...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010


Um aplauso à incoerência e à hipocrisia.
Como ousar dizer jamais ser incoerente ou hipócrita?
Tolice
Faltam apenas as circunstâncias, e toda a peça se molda
Os atores trocam suas vestes e voltam ao palco, prontos para um novo ato
Afinal, o que é a vida senão um grande palco?
O que somos nós, senão meros atores medíocres?

quinta-feira, 2 de setembro de 2010


Amo, exalto e exalo o que julgo certo
Porque do que é certo só eu entendo
Os erros são e serão sempre seus meu bem
Afinal, as regras são minhas
Esse é o meu jogo
Tenho todas as cartas e cartões
Mas você é imune
Só porque eu quis, porque eu quero
Você é imune
Só porque eu não vivo sem você
Você é imune
Só porque você é meu
Você é imune
Só porque sou sua

Você é imune

E eu estou sempre certa.

Obs: Para um pote cheio de tudo que eu amo!!!

A leveza pra mim é realmente insustentável
Só o que é verdadeiramente denso me satisfaz
O opaco me serve como descanso de copo
Cheio da bebida mais forte do bar

Porque eu gosto é do amargo do estrago
Do sufocamento passional
Das dores de lutas perdidas
De cair ao término de cada batalha, exausta.

Permanecer assim, inerte e impassível
Estatalada, quase morta, mas viva
Sinto pouco a pouco o ar em meus pulmões
O retorno das forças e da consciência

Quando me ponho novamente de pé
Tudo que penso é no próximo furacão
Na tempestade por vir, avassaladora
Nos choques que levarei de seus raios

Ao reconhecer esses meus passos, tantas vezes dados
Abro meus braços, olho em direção ao horizonte
Corro so seu encontro e me ponho a bailar e cantarolar
As canções desse clichê que insisto em ser.