
Um espaço para o armazenamento dessas idéias que permeiam minha existência, e que em um momento de respeito próprio, resolvi lhes dar espaço físico, propriedade, talvez até um pouco de autonomia.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Certezas! Certezas. Certezas? Certezas... Incertas certezas
Acho que as certezas estão muito bem cotadas ultimamente, transparecem força e exatidão, embora sua detenção seja abstrata e contraditoriamente incerta.
Como não ceder aos encantos da dúvida apenas por elas mesmas? Apenas por suas suposições? Suas possibilidades
As certezas estão superestimadas, certamente...
Muitos buscam-na com afinco ímpar e vivem a ilusão da sua existência, mesmo sabendo secretamente que ela nunca estará com ele ou mesmo ao seu lado
As certezas estão em alta porque o mundo nos ensinou que o inalcançável é alcançável
A beleza perfeita
Os hábitos perfeitos
A postura perfeita
O linguajar perfeito
O ser humano perfeito
A comida perfeita
Toda essa perfeição não passa de uma esfera irreal de que as certezas podem existir.
Informo-lhes, ou talvez informe nesse exato momento a mim mesma:
A certeza não existe.
segunda-feira, 14 de junho de 2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Sinto positividade ao meu redor, há muito não sentia esse otimismo latejante.
Acordei hoje uma hora antes do habitual, ao menos o habitual que adotei a cerca de uma semana, tudo bem, essa volatilidade não está me afetando tanto como antigamente, enfim, não quis levantar, mas não pelos meus montros interiores, apenas não quis.
Quis sentir o cheiro de minhas cobertas, o frio na ponta do nariz, entorpecer-me dessas simples sensações.
Levantar não doeu e a inspiração para a escrita estava saindo por meus poros, sentei, ignorando o tempo e meu iminente atraso e escrevi, falei sobre como o negro aos poucos dava espaço a novos tons. Linhas tão espontâneas, que saíram como um rio a desaguar no mar.
Enquanto escrevia, envolta em tudo o que de novo estava se apresentando para mim, deixei virar um prato de comida em meu colo, não me sujei, a sujeira caiu exatamente no único local de meu colo em que repousava um pequeno guardanapo, e nesse momento, nesse instante em que escrevia sobre o surgimento lento de novas cores, as formas se mostraram mais nítidas, as telas se agitaram em minha frente buscando elas mesmas por cores.
E assim, no simples momento em que não me sujei no café da manhã, enxerguei um mundo vivo ao meu redor e ri por isso. Dei felizes gargalhadas e passei toda a manhã de hoje olhando atentamente tudo e todos, reconhecendo cada espaço usual com meus olhos de criança, olhos de quem está enxergando tudo pela primeira vez e se encanta tanto com tudo isso que se apaixona pelo viver, pelo sentir.
Enquanto escrevo essas linhas me sinto pressionada a escrever a outra face da moeda que poderá se apresentar no futuro, mas eu nego, exatamente agora eu nego, não escreverei sobre o por vir. Hoje, agora, eu estou muito ocupada, agora eu estou sentindo.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O que era fraco começa a se fortalecer
O forte adquire modéstia
As certezas sentam-se ao lado das dúvidas
As dúvidas aceitam as hipóteses
O efêmero pede licença e se acomoda
O fixo se permite uma breve jornada
As evidências almejam a contestação
Os julgamentos são adiados pacificamente
As estruturas abrem espaço ao novo
As bases aceitam suas falhas
O incerto, a possibilidade, as icógnitas
Todos juntos dançam ao som dessa nova melodia
Todos esses sentimentos
Estendem uma toalha quadriculada em vermelho e branco
Repousam sobre elas o melhor dos banquetes
Recheados com suas angústias e incertezas
E assim, juntos
Fazem um piquenique à vida, ao existir, ao respirar
Ao viver!
