
Um espaço para o armazenamento dessas idéias que permeiam minha existência, e que em um momento de respeito próprio, resolvi lhes dar espaço físico, propriedade, talvez até um pouco de autonomia.
segunda-feira, 14 de junho de 2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Sinto positividade ao meu redor, há muito não sentia esse otimismo latejante.
Acordei hoje uma hora antes do habitual, ao menos o habitual que adotei a cerca de uma semana, tudo bem, essa volatilidade não está me afetando tanto como antigamente, enfim, não quis levantar, mas não pelos meus montros interiores, apenas não quis.
Quis sentir o cheiro de minhas cobertas, o frio na ponta do nariz, entorpecer-me dessas simples sensações.
Levantar não doeu e a inspiração para a escrita estava saindo por meus poros, sentei, ignorando o tempo e meu iminente atraso e escrevi, falei sobre como o negro aos poucos dava espaço a novos tons. Linhas tão espontâneas, que saíram como um rio a desaguar no mar.
Enquanto escrevia, envolta em tudo o que de novo estava se apresentando para mim, deixei virar um prato de comida em meu colo, não me sujei, a sujeira caiu exatamente no único local de meu colo em que repousava um pequeno guardanapo, e nesse momento, nesse instante em que escrevia sobre o surgimento lento de novas cores, as formas se mostraram mais nítidas, as telas se agitaram em minha frente buscando elas mesmas por cores.
E assim, no simples momento em que não me sujei no café da manhã, enxerguei um mundo vivo ao meu redor e ri por isso. Dei felizes gargalhadas e passei toda a manhã de hoje olhando atentamente tudo e todos, reconhecendo cada espaço usual com meus olhos de criança, olhos de quem está enxergando tudo pela primeira vez e se encanta tanto com tudo isso que se apaixona pelo viver, pelo sentir.
Enquanto escrevo essas linhas me sinto pressionada a escrever a outra face da moeda que poderá se apresentar no futuro, mas eu nego, exatamente agora eu nego, não escreverei sobre o por vir. Hoje, agora, eu estou muito ocupada, agora eu estou sentindo.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O que era fraco começa a se fortalecer
O forte adquire modéstia
As certezas sentam-se ao lado das dúvidas
As dúvidas aceitam as hipóteses
O efêmero pede licença e se acomoda
O fixo se permite uma breve jornada
As evidências almejam a contestação
Os julgamentos são adiados pacificamente
As estruturas abrem espaço ao novo
As bases aceitam suas falhas
O incerto, a possibilidade, as icógnitas
Todos juntos dançam ao som dessa nova melodia
Todos esses sentimentos
Estendem uma toalha quadriculada em vermelho e branco
Repousam sobre elas o melhor dos banquetes
Recheados com suas angústias e incertezas
E assim, juntos
Fazem um piquenique à vida, ao existir, ao respirar
Ao viver!

Meu mundo é tão pequeno
terça-feira, 4 de maio de 2010

Um poeta, que talvez nem soubesse que o era, certa vez disse:
- O mundo pode parar.
Pasmo, o dito poeta hesitou, procurou explicações, tentou entender como aquelas palavras podiam ser pronunciadas juntas.
Seu mundo, parando?
Isso era impossível, inaceitável.
Afinal o mundo não pára pra esperar você chorar.
Ao menos isso foi o que ele havia compreendido das mensagens de seu mentor.
Fez todo o esforço possível, não conseguiu entender, parecia uma afirmação inconsequente e tresloucada.
E em meio a esse momento tão confuso e angustiante, pela primeira vez em muito tempo ele chorou. Ele se permitiu chorar, nesse exato momento ele tudo entendeu, porque nesse exato momento...
O seu mundo mundo parou.
